Desafios em Processos Seletivos
"Mesmo com a facilidade e acessibilidade que encontramos atualmente para a realização de cursos e palestras profissionalizantes, internet e baixo custo dos livros, ainda está difícil para as empresas encontrarem profissionais qualificados"
Por Cristian Guilhen*
É comum, hoje em dia, ouvirmos falar em desemprego, mas também é muito comum ouvirmos os profissionais que recrutam candidatos para processos seletivos dizerem que não conseguem encontrar bons profissionais para preencherem as vagas em aberto.
Nestes mais de 10 anos de atuação na área de RH e Qualidade venho observando a dificuldade, cada vez maior das empresas em selecionar pessoal qualificado, para as diversas áreas da empresa. Mesmo com a facilidade e acessibilidade que encontramos atualmente para a realização de cursos e palestras profissionalizantes, internet e baixo custo dos livros, ainda está difícil para as empresas encontrarem profissionais qualificados.
As empresas sofreram uma pressão do mercado muito grande, devido a competitividade, exigências cada vez maiores por qualidade, preço baixo e entrega no prazo e eu não vejo que os profissionais se atualizaram na mesma velocidade. Há aproximadamente 15 ou 20 anos atrás, era comum conhecermos pessoas da família que já estavam trabalhando, receberem grandes propostas para mudarem de emprego, ou quando passar na porta de multinacionais de grande porte "ser pego a laço" para trabalhar, mesmo sem qualificação.
A confirmação deste fato é que hoje encontramos muitos profissionais na faixa dos 40 /50 anos que não tem formação universitária, e muitas vezes nem segundo grau (ensino médio) completo, que são bem sucedidos profissionalmente. Mas hoje os tempos mudaram, pois encontramos pessoas com cursos universitários e mesmo assim não tem qualificação profissional.
O que está errado então?
Percebo que as pessoas estão perdendo o foco profissional, devido ao excesso de opções que o mercado universitário oferece, e não se profissionalizam para aquilo que as organizações necessitam, é uma geração que acredita que tem que gostar do que faz, mas não quer aprender a gostar do que o mercado de trabalho tem de melhor a oferecer.
Eu já fiz muitas entrevistas de empregos onde candidatos tem muita formação, mas não a necessária para o cargo, como por exemplo em uma vaga de auxiliar administrativo recebi candidatos com superior completo em Educação Física, Mecatrônica, Veterinária entre outros.
Também é comum você ver em Currículos profissionais, na parte de Objetivo, o candidato escrever "a disposição da empresa", ou seja, pra mim qualquer coisa serve, preciso trabalhar, ou então nos cursos o candidato declarar todos os cursos que fez em áreas diferentes como por exemplo: curso de vendas, administração, culinária, logística e muito mais. O candidato muitas vezes tem e equivoco de pensar que quanto mais coisas diferentes conhecer, mais será valorizado.
Coloco aqui como dica profissional, que as pessoas busquem um foco de atuação, pesquisando no mercado quais profissões possuem grande quantidade de oferta e salários compatíveis, e que seja dentro de uma área de atuação que a pessoa se identifique.
Cristian Guilhen é psicólogo com mais de dez anos de experiência e coordena a área de Educação a Distância da ABC71 Soluções em Informática Ltda.
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